quinta-feira, 10 de junho de 2010

Dia de Camões

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Transforma-se o amador na cousa amada

Transforma-se o amador na cousa amada,
Por virtude do muito imaginar;
Não tenho logo mais que desejar,
Pois em mim tenho a parte desejada.

Se nela está minha alma transformada,
Que mais deseja o corpo de alcançar?
Em si sómente pode descansar,
Pois consigo tal alma está liada.

Mas esta linda e pura semideia,
Que, como o acidente em seu sujeito,
Assim co'a alma minha se conforma,

Está no pensamento como ideia;
[E] o vivo e puro amor de que sou feito,
Como matéria simples busca a forma.


                   

1 comentário:

Eduardo Zanini disse...

Bela escolha!
Inventei de blogar faz uma semana e esse é o primeiro blog alheio que entro e comento.
Gosto desse soneto e fiquei surpreso que, dentre tantos poemas de Camões, você tenha escolhido este.
Abraços do Brasil, Luis!